Demorei a dormir naquela noite. Estava com o ventilador ligado para amenizar o calor. Ensopado. Sentia-me como num banhado de ouro. Meu carro de ouro estava sendo rebocado. Antes de comprar essa joia, feita do metal mais precioso do mundo, eu morava numa cidadezinha atrasada do Golfo Pérsico. Mas já era bilionário. Possuía alguns bilhões de dólares. E não pagava imposto de renda. “Nem nos seus dias de maior fastígio os Rocke-fellers, os Morgans e os príncipes indianos conheceram fortuna que remotamente se comparasse à desse potentado”. (Edwin Muller). A cidade ficava num país com uma área de 15.500 quilômetros quadrados (pouco mais da metade de Sergipe). Única, circundada pelo Golfo e pelas areias do deserto. Acordei espantado, suado e ensopado. Gritei! Esse cara não sou eu! O do sonho... É claro! O nome dele era Abdullah as-Salim as-Subah, e o lugar ainda é o Kuwait. Segundo a matéria de Edwin Muller, “O Creso do século vinte”, publicada na Revista Seleções do Reader’s Digest de setembro de 1952, que eu havia lido antes de pegar no sono, o xeque era proprietário pessoal e incontestável de muitos bilhões de dólares.