Após 48 anos de casado, perdi o grande amor da minha vida, de mim arrebatada por um câncer avassalador, que a consumiu em apenas sessenta dias. No vazio de metade de mim mesmo, em meio à releitura de cartas e fotografias antigas, nasceu em mim um desejo incontido de escrever para Nadia uma última carta de amor. Essa carta é a razão deste livro, que lhe dedico. Escrevendo sobre ela, eu consegui aplacar a mágoa em meu espírito, e hoje – apesar de ter muito a lamentar – nada tenho a reclamar de Deus por me tê-la tirado, eis que seria injusto e egoísta fazê-lo, quando tantos homens buscam a felicidade e não a encontram sequer por um átimo. Eu não perdi uma mulher. Eu perdi a Nadia. Só quem a conheceu pode avaliar o tamanho do buraco deixado em meu peito e em minha alma.