AMANHÃ HÁ DE SER OUTRO DIA é um romance de humor negro sobre a vida fracassada, os amores perdidos e os filmes medíocres de um cineasta nordestino, um artista em crise com a própria existência, com os amigos e com a sua capacidade intelectual. A obra lida com questões relacionadas ao existencialismo, à psicologia, aos relacionamentos amorosos complexos, às paixões inusitadas e à traição. A sorte desse cineasta muda de uma hora para outra, colocando à prova sua moral e sua ética: ao integrar a equipe da campanha de um senador, ele recebe o convite para participar de um esquema de lavagem de dinheiro e remessas ilegais para o exterior. O título vem de duas canções que o personagem cita durante a história: “Sonhos”, de Peninha ("amanhã será um novo dia e certamente eu vou ser mais feliz"), e “Apesar de você”, de Chico Buarque ("apesar de você/amanhã há de ser outro dia").
TRECHO “Pensei em pôr um fim a tudo de forma tão cinematográfica e retumbante que pudesse ficar na memória das pessoas por muito tempo. Pensei em pular daquela ponte que tem nome de pintor. Fui até lá e me pendurei num sustentáculo de ferro e fiquei à beira do abismo e senti o vento açoitando meu rosto com violência. Mas na hora H me faltou a coragem de Tony Scott ou de Harry Houdini. Convenci-me de que não tenho vocação para ser herói. O voo cego para o indizível ficou só na vontade. Isso foi ontem, no final da tarde, antes da bebedeira. Caí na esbórnia para festejar minha covardia. Agora estou vivo e de ressaca”.